Recuperação judicial da Ambipar avança com reconhecimento nos EUA e suspensão do Chapter 11, mas votação do plano de R$ 13,3 bilhões continua travada pelo STJ.

A recuperação judicial da Ambipar avançou nos Estados Unidos nessa segunda-feira (28/09). A Justiça americana reconheceu a recuperação conduzida no Rio de Janeiro como “processo estrangeiro principal”, dando ao caso brasileiro reconhecimento também nos EUA.
A decisão foi tomada pelo juiz Alfredo Pérez, da Corte de Falências do Distrito Sul do Texas, em Houston. Ele também suspendeu o Chapter 11 da Ambipar Emergency Response, subsidiária que buscava reorganizar suas dívidas diretamente sob supervisão da Justiça americana.
Com isso, o processo brasileiro ganha precedência nos EUA na reestruturação de cerca de R$ 13,3 bilhões em dívidas. A decisão, porém, não aprova o plano da Ambipar: no Brasil, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) mantém suspensa a assembleia que deveria submetê-lo aos credores.
Recuperação judicial da Ambipar começou após crise em 2025
A Ambipar é uma multinacional brasileira fundada em 1995, com operações de gestão ambiental e resposta a emergências no Brasil e no exterior. A crise ganhou força em setembro de 2025, após a saída do então diretor financeiro.
Antes da recuperação judicial da Ambipar, o Deutsche Bank exigiu garantias adicionais relacionadas a contratos de swap cambial, enquanto outras instituições notificaram o grupo sobre supostos descumprimentos contratuais. A companhia então recorreu à Justiça do Rio para obter proteção contra vencimentos antecipados.
Em 20 de outubro de 2025, a Ambipar e empresas do grupo entraram com o pedido de recuperação no Brasil. A reestruturação reúne um endividamento que atualmente chega a cerca de R$ 13,3 bilhões.
Por que os Estados Unidos entraram no caso de uma empresa brasileira
A origem brasileira da Ambipar não elimina seus vínculos financeiros e societários no exterior. O grupo expandiu operações internacionalmente e possui uma subsidiária, a Ambipar Emergency Response, submetida ao Chapter 11 nos Estados Unidos. Esse procedimento permitia conduzir uma reorganização sob supervisão direta da Justiça americana.
Ao mesmo tempo, a companhia buscou o Chapter 15, instrumento da legislação americana destinado ao reconhecimento de processos de insolvência abertos em outros países. A estratégia era fazer a recuperação judicial da Ambipar no Brasil ser reconhecida nos EUA e, com isso, suspender o Chapter 11.
Foi essa etapa que Pérez decidiu agora. A corte reconheceu a recuperação conduzida pela 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro como processo estrangeiro principal e suspendeu o Chapter 11. Bancos brasileiros e estrangeiros e a gestora Opportunity estavam entre os opositores da estrutura defendida pela Ambipar.
Avanço nos EUA devolve atenção ao bloqueio no STJ
A decisão dessa segunda-feira, no entanto, não encerra a participação americana na recuperação judicial da Ambipar. Isso porque o Chapter 11 ficou suspenso, e não extinto; além disso, os credores ainda poderão contestar o plano brasileiro caso a empresa peça à Justiça americana que reconheça seus termos nos Estados Unidos.
Também existe, inclusive, um obstáculo no Brasil. A Assembleia Geral de Credores prevista para 1º de setembro acabou suspensa por decisão do STJ, após recurso de credores na discussão sobre qual foro brasileiro deve conduzir a recuperação. O relator Raul Araújo apontou São Paulo como local do principal estabelecimento, em contraste com o processo atualmente conduzido no Rio.
A documentação de relações com investidores da Ambipar registra a suspensão da assembleia e ainda lista o comunicado entre os documentos atuais da recuperação.
Assim, a recuperação termina a etapa americana desta semana com uma definição sobre qual processo terá precedência, mas sem decisão sobre como os R$ 13,3 bilhões serão renegociados. O próximo avanço depende do impasse no STJ e da retomada da assembleia para que os credores possam deliberar sobre o plano.